
Os estudos internacionais já não deixam dúvidas: a crise provoca e acentua insónias, ansiedades e depressões. Se Portugal já era campeão do consumo destas substâncias, é fácil prever que em 2009 a indústria farmacêutica seja das poucas áreas de negócio a abrir um sorriso.
Se ninguém nega o alívio que estes químicos podem dar, os especialistas imploram que se tentem primeiro outras estratégias de não perder o sono. Até porque, enquanto dorme, come menos... e a obesidade continua a ser o pesadelo do futuro próximo.
E para vencer pessimismos não há como saber mais sobre todas as invenções que diariamente a ciência faz para si. O futuro, prometemos-lhe, vai valer a pena.
Desejar a alguém "muita saudinha" pode soar a coisa fora de moda, saída da boca de uma velhinha de lenço preto à cabeça, mas a verdade é que continua a ser o voto mais importante que podemos fazer. Nada relativiza mais o mundo à nossa volta do que uma doença, sobretudo se for grave ou de desfecho mortal. E nunca estamos mais vulneráveis às consequências graves que a falta de dinheiro provoca, do que quando a falta de saúde nos bate à porta.
Com a «crise económica» chega também a descida de oferta e de qualidade da assistência médica pública e privada: os cortes orçamentais tornam as listas de espera mais longas, os seguros de saúde abandonam os seus clientes com redobrada facilidade, e todas as formas de apoio e subsídios a quem adoeceu, e às famílias que são os seus primeiros cuidadores, encolhem assustadoramente. Mas continue a ler.
Cresce o consumo de ansiolíticos e soporíferos
Não é preciso ter uma bola de cristal para saber que não é de certezinha absoluta este ano que a DGS vai ver decrescer o consumo de ansiolíticos, antidepressivos e soporíferos, de que já era gritante. Todas as doenças que levam à medicação (ou automedicação) com estes químicos vão crescer proporcionalmente à taxa de desemprego, ao endividamento e às dificuldades económicas.
O stress real provocado pela crise económica dará origem a novas depressões (para além do ordenado, o emprego dá-nos o estatuto e a realização profissional de que a nossa auto-estima precisa para se manter à tona), a estados de ansiedade e a muitas insónias. Um estudo divulgado pela revista Time já indica esta tendência, a que se soma um aumento do abuso de álcool e outras drogas. Se estes químicos, tomados sob controlo médico, podem ser a tábua de salvação para muita gente, os especialistas imploram que tenhamos o bom senso de recorrer primeiro a algumas estratégias simples como, por exemplo, não ver telejornais, nem consultar caixas de correio electrónicas duas horas antes de recolhermos à cama, tomarmos banhos de imersão para relaxar antes de dormir, evitar álcool, tabaco e café, que interferem todos com o sono, fugir à tentação a partir do pôr do Sol de fazer «listas» do que nos falta fazer ou resolver.
Continuamos a engordar
É nos bairros mais pobres que se engorda mais, contra todas as expectativas. De tal forma que nalgumas zonas carenciadas dos EUA já foi proibida a presença de algumas cadeias de fast-food. É que a comida que enche muito e engorda a olhos vistos é, regra geral, mais barata do que a outra. Neste momento, e embora os bebés continuem a nascer com o peso praticamente idêntico ao de há 25 anos, quando as crianças atingem cinco anos já estão muito mais gordas do que aquelas que viveram nos anos 80.
A praga da obesidade, com a sua panóplia de riscos associados, ainda está em crescimento. Se fôssemos inteligentes, dizem os entendidos, aproveitávamos a crise para voltar à dieta mediterrânea - legumes, azeite, peixe e fruta - que se tem provado ser a mais saudável de todas. E, já agora, para poupar no passe social e ir a pé, porque a falta de exercício é uma das causas desta acumulação de gordura que mata mesmo.
Pastilhas de testosterona
Segundo as conclusões de um estudo de Harvard, divulgado pela Time, os empresários de sucesso têm níveis mais altos da hormona masculina, testosterona. Mais ainda, nos dias em que os vendedores acordavam com níveis elevados desta substância, faziam melhores negócios.
Propõem-se agora estudar como é que a agressividade provocada pela hormona nos pode tornar a todos gente de negócios bem sucedida, só que há um perigo: em excesso, a testosterona leva à capacidade de perceber o risco! Perigoso, quando as contas bancárias andam próximas do zero.
Um ano sem tabaco
Não há estudos conclusivos, mas os trabalhos parciais concluíram que a Lei do Tabaco não reduziu substancialmente o número de fumadores, mas levou a que fumassem menos, o que já é qualquer coisa. Os números editados por estudos internacionais dizem que graças às campanhas antitabágicas já se nota uma redução de casos de cancro do pulmão. Conclui-se ainda que para deixar de fumar, como para começar, a importância do exemplo dos amigos é fundamental.
Fonte: Carla Marina Mendes e Isabel Stilwell/DESTAK
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