
Estudo revela que sentimento de segurança aumentou, apesar de comportamentos perigosos
00h30m
SUSANA OTÃO
Passar um sinal amarelo, conduzir a mais de 65 Km/h dentro das localidades ou ingerir dois copos de vinho e ir para a estrada são comportamentos perigosos ao volante. Graves? Sim. Mas para os portugueses, nem tanto.
Estas são algumas das conclusões do estudo AXA - Barómetro de Prevenção Rodoviária, realizado a nível europeu, segundo o qual os portugueses subestimam os riscos rodoviários. Se, por um lado, os condutores inquiridos admitem que entre os comportamentos mais perigosos figura o excesso de velocidade a poucos metros do carro da frente (86%) e atender o telemóvel sem "kit mãos-livres" (85%), por outro, desvalorizam situações como passar um sinal amarelo (18%), conduzir a 65 Km/h dentro das localidades (42%) e guiar após ingestão de bebidas alcoólicas (62%).
O comportamento é considerado um dos mais perigosos da Europa. A esmagadora maioria dos inquiridos (85%) reconhece que já passou sinais amarelos, valor muito superior à média europeia, que se fica pelos 42%. Seis em dez portugueses a afirmam que conduzem em excesso de velocidade.
Quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, revelam desconhecer o limite de álcool permitido. Apenas 200 dos 800 portugueses inquiridos - num universo de 7224 condutores europeus - responderam correctamente. Apenas um quinto admitiu conduzir sob o efeito do álcool. Em Portugal, à semelhança da Bélgica, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Espanha, Suíça e Grã-Bretanha, os outros países onde se realizaram os inquéritos, os condutores mais jovens admitem ter mais comportamentos perigosos, sobretudo no que diz respeito aos limites de velocidade. Comparativamente com os outros povos, quase metade dos inquiridos acredita que os europeus são bons condutores, embora um quarto saliente que são os portugueses que guiam melhor.
Apesar de reconhecerem os riscos, seis em dez portugueses afirmaram sentir-se mais seguros do que há dois anos, muito embora apenas um em cada quatro afirme que mudou de comportamento na estrada. As razões invocadas prendem-se com o aumento do preço de combustíveis, a consciencialização para os perigos e a instalação de radares. Ainda assim, cem admitiram ter sido multados nos últimos 12 meses.
Conscientes dos perigos rodoviários e também dos comportamentos incorrectos, metade dos inquiridos considera que a punição às infracções deveria ser mais severa e que a prevenção rodoviária é tão importante que deveria começar no ensino primário.
Fonte: Jornal de Notícias
Imagem: http://oglobo.globo.com/fotos/2007/07/06/06_MHG_sp_turbinado.jpg