Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Alunos recebem dinheiro por bons resultados na escola


A lógica "estudas, logo recebes" parece invadir agora o ensino secundário. Em vários países, torna-se prática comum remunerar os alunos caso tenham boas notas.
O projecto-piloto arrancou na semana passada em três escolas de Paris, em áreas onde moram maioritariamente imigrantes. É nestes estabelecimentos de ensino que, alegadamente, a desmotivação dos alunos é maior. O objectivo - diminuir as elevadas taxas de abandono e absentismo escolar. Entre 120 mil e 150 mil alunos franceses deixam de estudar sem obter um diploma ou concluir o ensino profissional.

Como funciona? São atribuídas contas bancárias às turmas com quantias de cerca de dois mil euros. Os alunos são recompensados se atingirem os objectivos estabelecidos em conjunto com os professores. Contudo não vale a pena os miúdos fazerem grandes planos para o destino a dar à recompensa.

Nada de sapatilhas novas ou telemóveis. O dinheiro tem de ser gasto em algo proveitoso para a turma - uma viagem colectiva com fins educativos ou uns computadores novos, por exemplo.

As reacções não se fizeram esperar. Tanto os pais dos alunos como os docentes não aprovam a medida. Os professores do secundário dizem que "se está a transformar educação em mercadoria."

Prática corrente nos EUA e Reino Unido
Mas a França não é a primeira a adoptar esta medida pouco convencional. Tanto nos EUA como no Reino Unido já existem práticas semelhantes. Em Nova Iorque, os alunos da quarta classe e os do sétimo ano podem ganhar até 500 dólares (cerca de 340 euros) se melhorarem, continuamente, as notas nos testes de Inglês e Matemática. Há estados em que os incentivos monetários são dados até aos que, simplesmente, não chegam atrasados às aulas.

Apesar das críticas de pedagogos e especialistas que este tipo de prática esteja a ter, parece que há situações em que os resultados são mesmo motivadores. No Reino Unido, o EMA, um programa que incentiva monetariamente os alunos, com idades entre os 16 e os 18 anos, de famílias menos favorecidas a continuar os estudos, está dar resultados. O número de desistências está a baixar em média 2% por ano desde o início do programa, há dez.

Fonte: Cristina Morais (www.expresso.pt)
16:40 Segunda-feira, 12 de Out de 2009
Imagem: http://www.acspotlight.net/wp-content/uploads/2008/09/moneyman.jpg