Sábado, 28 de Novembro de 2009

Cada vez mais consumidores aceitam ajuda


Haxixe está a tornar-se uma droga mais perigosa para a saúde devido às alterações a que é submetida. O nome 'droga leve' começa a deixar de fazer sentido, explica ao Destak o presidente do IDT.

Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

Notícias de famosos que foram 'apanhados' a consumir haxixe ou que vieram a público assumir que já experimentaram este tipo de droga são tão banais que até o homem mais poderoso do Mundo (segundo a revista Forbes), Barack Obama, já admitiu o seu uso no passado.

O problema é que a normalidade com que se encara o consumo de cannabis pode levar os jovens a não a considerarem nefasta para a saúde, quando esta está cada vez mais perigosa. Apesar de continuar a ser denominada 'droga leve', está hoje longe de o ser, devido às alterações a que é submetida, explica ao Destak o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, João Goulão.

No que respeita ao consumo deste estupefaciente, as boas notícias são o facto de haver cada vez mais pessoas a aceitarem a 'ajuda' das Comissões de Dissuasão da Toxicodependência. Cerca de 10% do total das que estão neste momento submetidas a tratamento têm o haxixe como principal droga, o que representa um aumento.

Só este ano foram cerca de 5700 o número de dependentes encaminhados para estas comissões devido a contra-ordenações por posse e consumo de drogas ilegais, na sua esmagadora maioria haxixe (71%).

Estas comissões são responsáveis por receber os casos enviados pelas autoridades policiais e tribunais, avaliar a situação do consumidor e decidir a forma mais adequada de intervir.

Crime ou dependência?

O consumo de droga não é considerado crime em Portugal, mas se a pessoa for interceptada pela polícia é levantado um auto e esta é enviada à Comissão de Dissuasão da Toxicodependência, onde são obrigadas a comparecer num prazo de 72 horas.

Primeiro, o utente é avaliado, para se perceber se a sua condição é de toxicodependente ou de consumidor ocasional. No último caso, o nome da pessoa entra no sistema de contra-ordenações e não no penal, mas pode vir a ser penalizado se reincindir. Já no primeiro caso, de ser considerada dependente, a pessoa é referenciada para tratamento.

O pagamento de uma multa não muito elevada; a condenação a prestar trabalho comunitário, por exemplo, num lar; a proibição de frequentar determinados locais como discotecas ou de ir viajar; e a limitação ao acesso a beneficios sociais são algumas das penalidades que podem ser aplicadas em casos de reincidência.

Tendências do consumo

Segundo o relatório de 2009 do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, a tendência de consumo de cannabis tem vindo a diminuir, mas mesmo assim mantém-se em «níveis historicamente elevado». Por isso, «o debate europeu sobre o fenómeno da droga continua a procurar uma resposta eficaz para o travar».

Só no último ano, estima-se que cerca de 22,5 milhões de europeus consumiram can-nabis, o que corresponde a 6,8% da população entre os 15 e os 65 anos.

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Menos consumo, mais apreensões

Apesar de o consumo de cannabis estar a diminuir entre os jovens, segundo o relatório anual do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência de 2009, as apreensões desta substância não têm verificado a mesma tendência. De 2007 para 2008, as autoridades portuguesas confiscaram mais 37,2% de haxixe em território nacional, sendo que no ano passado a quantidade apreendida ultrapassou as 61 toneladas.

Outro tipo de operações que têm vindo a aumentar são as apreensões de cannabis - planta cuja folha é vulgarmente conhecida como erva, mas de onde também se produz o haxixe. A título de exemplo, a GNR já apreendeu este ano 160 kg de folhas, 2000 pés de plantas e 1600 sementes.

O tenente-coronel Albano Pereira - chefe da Investigação Criminal da GNR - não estranha que haja casos registados em todo o País, porque, como diz, esta é uma prática simples, barata e com boas condições de cultivo em Portugal.

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Família

Apesar de não existir um perfil de quem procura ajuda para deixar o haxixe, por ser uma adicção que não escolhe idade e condição social, a verdade é que há um factor que afecta a maioria dos que tentam deixar. Sete em cada 10 (70%) têm alguém na família - primos, irmãos ou pais - com uma dependência, revela ao Destak o consultor em dependência química Fernando Henriques.

Fonte: DESTAK
Imagem: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna//Images%5Ccocaina_snifar.jpg