Terça-feira, 17 de Março de 2009

Condutores estão cada vez mais violentos


A frustração profissional e económica e o stress são factores que motivam as agressões que se verificam nas estradas, explica ao Destak um especialista. Muitos portugueses optam por levar armas nos carros.

Patrícia Susano Ferreira | pferreira@destak.pt

Daniel estava atrasado para um encontro, mas à sua frente deslocava-se um carro que teimava em fazer ziguezagues e não ter a certeza do caminho que era melhor. Tentou ultrapassá-lo, mas este cortou-lhe a passagem, quase provocando o seu despiste. O jovem de 25 anos acabou por perder a cabeça e numa rotunda bloqueou-lhe o caminho. «Estava cego e acabei por perder toda a razão quando saí do carro e lhe parti a cana do nariz com uma cotovelada. Ele nem teve tempo de sair», relembra. Pegou no carro e seguiu viagem. «Acredito que ele tenha ido directo até às urgências e a seguir à polícia, mas até hoje ninguém me contactou.»

Esta é apenas uma das inúmeras histórias de violência e insultos que o Destak descobriu entre os condutores portugueses. Muitas delas terminaram na esquadra da polícia mais próxima e outras até numa maca de hospital.

O stress e a pressão do dia-a-dia

Hora de ponta, pressa para chegar ao trabalho, um chefe que não gosta de atrasos, etc. É normal que o dia da maioria dos portugueses, que vivem perto dos grandes centros urbanos, não comece da melhor maneira. Mas se não começa bem, por norma, termina ainda pior, com novas filas de trânsito para regressar ao tão desejado lar.

Se juntarmos à hora de ponta os nervos à flor da pele ou a crise financeira mundial, pode imaginar-se quais são as palavras evocadas pelos condutores que viajam à nossa frente quando um outro automobilista o ultrapassa e lhe atrasa em três segundos o regresso a casa. Mas se uns optam por palavras de fúria e asneiras, outros passam à prática, vendo na agressão a melhor saída para solucionar uma atitude menos correcta de outro condutor.

Armas frequentes nos carros

Tacos de basebol, barras de ferro, gás pimenta, marretas e até pistolas são algumas das armas que ocupam um lugar especial dentro dos carros dos portugueses com quem o Destak falou. Têm consciência de que o porte de algumas delas é ilegal, mas mesmo assim não as dispensam.

João lembra, como se fosse hoje, o dia em que um condutor em fúria atravessou à sua frente a carrinha e cortou os dois sentidos da rua. Tirou um pé de cabra e começou a ameaçá-lo. No entanto, «deve ter-lhe dado um rasgo de lucidez ao aperceber-se que havia mais de 30 pessoas a assistir ao incidente. Deu meia volta, entrou na viatura e desapareceu».

Mas não são só as ameaças e agressões que marcam o quotidiano dos condutores portugueses. Todos os dias nos cruzamos nas estradas com pessoas que se sentem poderosas por conduzirem um carro de alta cilindrada e até protegidas por estarem atrás do volante e que decidem seguir-nos.

Catarina não esquece a perseguição de que foi alvo quando regressava a casa. O condutor «de um carro veloz» não ficou contente com a sua ultrapassagem e seguiu-a quase até casa enquanto a ameaçava com gestos. Na perseguição, desde Lisboa até Massamá, tentou por várias vezes empurrá-la para fora da faixa de rodagem, mas «por sorte» ela conseguiu evitar o pior.

Tirou a matrícula e ainda pensou em apresentar queixa na polícia, mas a sensação de que a denúncia não iria resultar na punição do seu autor, fê-la desistir da ideia e esquecer o caso.

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Estradas são palco de stress

Apesar de não existirem dados estatísticos que mostrem que a violência nas estradas tem vindo a aumentar, a verdade é que este tipo de comportamento «é mais frequente com o stress, o aumento de carros na estrada, o trânsito e a frustração profissional e económica, factores característicos do nosso tempo».

Por norma, o ser humano reage a estas ameaças com «ataques físicos ou verbais», seja na estrada ou noutro sítio, diz ao Destak o psicólogo Carlos Lopes Pires.

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E quando conduzir é a sua profissão?

Se as pessoas que usam o automóvel para chegar ao trabalho já são afectadas diariamente pela fúria de outros condutores, imagine-se aqueles cuja profissão é conduzir.

Falamos de motoristas de autocarros e taxistas. Muitas vezes são acusados de adoptarem uma má condução e atitudes menos correctas, no entanto, há que salientar o facto de passarem todos os dias mais de oito horas atrás de um volante.

Além de serem constantemente alvo de insultos, ainda vivem na pele a impaciência de condutores que lhes travam a passagem e que estacionam mal, deixando-os parados durante longos minutos com dezenas de pessoas impacientes nos bancos de trás.

Afonso, condutor da Vimeca há mais de quatro anos, lamenta que cada vez haja «menos civismo e educação nas estradas portuguesas».

Fonte: Destak
Imagem: http://2.bp.blogspot.com/_rEW0rhW_ycI/SKhbSDWTIlI/AAAAAAAAAbo/g0DICgysXCA/s400/Condutor_com_97_anos.jpg

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Socialistas querem legumes e frutas gratuitamente nas escolas e menos sal no pão


A distribuição gratuita de frutas e legumes nas escolas portuguesas é o objectivo de um projecto de resolução que o Grupo Parlamentar do PS defende sexta-feira, em plenário na Assembleia da República, acolhendo uma proposta da União Europeia.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Essa recomendação ao Governo, explicou à Agência Lusa o deputado socialista Jorge Almeida, surge no seguimento da apresentação pela Comissão Europeia de uma proposta para a criação de um programa à escala da União Europeia (UE) destinado a distribuir, a título gratuito, frutas e legumes às crianças das escolas do 1.º ciclo do ensino básico.

O programa proposto pela Comissão Europeia, segundo o deputado socialista - médico e autor da proposta -, pode contribuir de forma positiva para a valorização das produções e dos mercados locais e, deste modo, potenciar o aumento do consumo dos produtos nacionais.

Este programa comunitário prevê a disponibilização de 90 milhões de euros anuais (co-financiamento de 50 por cento de 75 por cento para as regiões de convergência) para abranger cerca de 26 milhões de crianças nos 27 Estados-membros da UE no ano lectivo de 2009/2010.

O objectivo da adesão de Portugal ao projecto seria - adiantou Jorge Almeida - abranger a população da escolaridade obrigatória e distribuir produtos preferencialmente de origem nacional: de produção biológica ou integrada.

A proposta da Comissão Europeia surgiu no âmbito de uma estratégia em matéria de problemas de saúde ligados à nutrição, ao excesso de peso e à obesidade que inclui campanhas de informação e de educação específicas destinadas a públicos vulneráveis, em cooperação com os Estados-membros.

Na UE estima-se que existam cerca de 22 milhões de crianças com excesso de peso, das quais mais de 5 milhões são obesas.

Além da distribuição gratuita de legumes e frutas, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista defende, também, a retirada de venda nas escolas de alimentos hipersalinos e hipercalóricos.

O PS vai ainda defender em plenário um projecto de lei que pretende reduzir o sal utilizado no pão, assim como outro para aprovação do Estatuto Profissional de Enologia.

A proposta socialista pretende que "o teor máximo permitido para o conteúdo de sal no pão, após confeccionado", seja de 1,4 gramas por 100 gramas de pão (ou seja, 14 gramas de sal por quilo de pão).

Actualmente, há grande diversidade na quantidade de sal utilizado no pão nas diversas zonas do país, mas "o pão português de maior consumo, o chamado pão 'normal', possui entre 18-21 gramas de sal por quilo, ao passo que o 'pão integral' é fabricado com uma média de 15 gramas", refere o documento, destacando que o pão português "tem, em média, muito mais sal que o pão dos restantes países europeus".

O projecto de lei considera ainda que a informação nos rótulos dos alimentos pré-embalados para consumo humano deve ser bem visível, de fácil leitura, "objectiva, simples, que inclua dados sobre a quantidade relativa e absoluta de sal na embalagem".

Imagem: http://www.acaototal.com.br/imagens/fruta.jpg

Terça-feira, 3 de Março de 2009

Número de idosos infectados pelo VIH está a aumentar



O número de idosos infectados com o VIH parece estar a aumentar, segundo um boletim da Organização Mundial de Saúde. Este grupo continua a não ser sujeito a rastreio.
Paralelamente, estes indivíduos são os mais propensos a praticar sexo não seguro e, não sendo diagnosticados, abrem as portas a uma mais rápida da progressão da infecção por VIH para a sida.

Casos reportados nos Estados Unidos demonstram um crescimento de 20 para 25 por
cento, entre 2003 e 2006, de pessoas com mais de 50 anos infectadas com o VIH, de
acordo com o autor do artigo, George Schmid, cientista do departamento de VIH/sida na
Organização Mundial da Saúde (OMS).
Uma análise preliminar destes casos em países em desenvolvimento revela igualmente um
surpreendente aumento de pessoas nesta faixa etária que estão infectadas. A frequência
da infecção é particularmente surpreendente tendo em conta a expectativa de vida após o
diagnóstico, que desce de 13 anos, entre os cinco e os 14 anos de idade, para os quatro
anos nos casos de pessoas infectadas com mais de 65 anos.
Embora a terapia anti-retroviral - que prolonga a vida das pessoas com VIH - possa estar a
contribuir para aumentar o número de idosos com VIH, os cientistas também suspeitam que
muitos estão a ser infectados em idades avançadas. "A frequência de infecção por VIH em
pessoas idosas é preocupante. Precisamos compreender como e quando é que estas
pessoas se infectam para reorientar as campanhas de saúde pública para a sua
prevenção", disse George Schmid.

Fonte: Agência Lusa. Imagem: D.R.