
Depois de uma noite em branco, muitos acreditam que, após várias horas de sono no dia seguinte ou na próxima folga, o corpo recupera. Contudo, um estudo publicado na revista "Science of Translational Medicine" desmistifica a ideia: quem dorme pouco de forma continuada ou trabalha à noite pode sofrer disfunções no rendimento do cérebro, que perduram mesmo após muitas horas de descanso.
A questão interessa especialmente às pessoas que não respeitam o ciclo circadiano - período de 24 horas sobre o qual assenta o ciclo biológico do corpo humano determinado pela luz solar -, como médicos ou seguranças. No estudo liderado por Daniel Cohen, especialista em medicina do sono no Brigham and Women's Hospital de Boston (EUA), nove pessoas saudáveis dormiram 10 horas de sono por cada 33 horas acordados ao longo de 38 dias. A privação aguda de sono (durante o dia) e a restrição crónica do descanso (ao longo de dias) foi analisada: se nas primeiras horas após o despertar o rendimento parecia normal, o desempenho e a concentração dos indivíduos ia-se deteriorando dia após dia. "É normal que as pessoas tenham períodos mais longos de sono ao fim-de-semana e nas férias, mas curtos durante a semana laboral. Nessas condições, os que sofrem de restrição crónica de sono podem ter a falsa sensação de recuperar este défice ao ter um bom rendimento nas primeiras horas após um período de sono normal", notam os autores. Mas o cansaço acumulado não desaparece e, à noite, o risco de adormecer sem dar por isso é quase certo.
Fonte e fotografia: ionline