No âmbito do esforço financeiro que o Governo aparenta fazer, o Ministério da Educação (ME) foi obrigado a eliminar dois programas de formação do 1.º Ciclo: o das ciências e o do ensino do português.
Em vez de os suspender temporariamente, o ME eliminou-os durante as férias de Verão. Compreende-se a eliminação do programa das ciências experimentais mas não se pode aceitar a eliminação do PNEP (Plano Nacional de Ensino de Português) tendo em conta que vai entrar em vigor o novo acordo ortográfico.
Os manuais escolares vão ser alterados, a linguagem e a gramática serão diferentes. As crianças (apesar de aprenderem mais facilmente que os adultos) vão ter, certamente, dificuldades de aprendizagem sobretudo na assimilação de vocábulos, regras e estilos gramaticais. E os docentes?
Os docentes têm algumas luzes sobre o acordo ortográfico. Ouviram qualquer coisa nas notícias, já leram um ou outro artigo num jornal ou revista, até já receberam um powerpoint que lhes chegou por email. Mas no domínio do concreto, o que sabem eles?
Não sendo da área de ensino sou um defensor da necessidade da língua portuguesa em todos os níveis escolares, nomeadamente a partir do 1.º Ciclo. Frequentei algumas formações deste Programa onde observei inúmeras experiências práticas realizadas com as crianças, nomeadamente com recursos tecnológicos e com o apoio da leitura.
Perde-se um bom instrumento de formação e trabalho, logo no ano que antecede a entrada em vigor do Novo Acordo.