Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Metade das famílias com dificuldades em pagar tratamentos médicos


Seis em cada 10 famílias tiveram dificuldade em seguir tratamentos médicos no último ano por motivos económicos, revela um inquérito da DECO Proteste, publicado na revista Teste Saúde de Fevereiro.

O inquérito, realizado junto de 1639 famílias portuguesas, revela que quase metade destes inquiridos foi obrigada a adiar uma terapia. Um quinto interrompeu e outros tantos nem sequer pensaram em iniciar um tratamento por impossibilidade de o pagar.

Nesta última situação estão 650 mil famílias, segundo estima a DECO.

Os lares com baixos rendimentos, os que incluem apenas um adulto e crianças menores e os que integram doentes crónicos manifestam mais problemas em suportar os custos, revela ainda o inquérito, segundo o qual um quinto dos inquiridos já se endividou para pagar despesas de saúde e 15 por cento fizeram-no no último ano.

Cada agregado pediu, em média, 1100 euros, sobretudo a familiares.

Quatro em cada 10 revelaram muitas dificuldades em liquidar a dívida.

Grande parte dos créditos pedidos destinou-se a serviços de saúde privados, muitos deles também existentes no Serviço Nacional de Saúde.

«Mas as longas listas de espera determinaram a decisão pelo privado», conclui a Teste Saúde.

O estudo mostra ainda que sete em cada 10 famílias gastam uma média de 1700 euros por ano em Saúde, o que representa, em média, cerca de um quinto do seu rendimento anual líquido.

A maior fatia das despesas é absorvida pelos cuidados dentários e oftalmológicos, com gastos médios anuais de 550 e 465 euros, respectivamente.

Face a este cenários, a DECO «pede respostas adequadas do Serviço Nacional de Saúde, pelos seus meios ou através de convenções, e a atenção especial do Estado aos grupos mais vulneráveis, como as famílias de baixos rendimentos, monoparentais e com crianças, e as que incluem doentes crónicos».

Lusa / SOL

1º Aniversário Blogue REAPN Bragança

O Blogue da REAPN Bragança comemora hoje, dia 26 de Janeiro, um ano de vida.
Neste espaço de tempo partilharam-se mais de 300 informações (posts) sobre diversos temas: notícias das IPSS, concursos, normas, legislação, conferências, emprego, estudos. Debateram-se temas, divulgaram-se acções e iniciativas, links para páginas institucionais, etc.
O Blogue, ou plataforma, está acessível em www.reapnbraganca.blogspot.com, apenas aos parceiros da REAPN Bragança. Até à data aderiram 11 instituições.

Contamos com a adesão de mais IPSS. Esperamos o vosso contacto (Ivone Florêncio ou Bruno Rodrigues). Bom trabalho.

O Administrador do Blogue, Bruno Luís Rodrigues
brunoluisrodrigues@gmail.com

Convite


Cartaz: Bruno Rodrigues

Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

SEGURANÇA SOCIAL ALTERA O PAGAMENTO DOS SUBSÍDIOS SOCIAIS


De carta/cheque para carta/cheque não à ordem
A partir de Janeiro de 2010, a Segurança Social alterou o modo de pagamento dos subsídios sociais de carta/cheque para carta/cheque não à ordem.
O cheque não à ordem tem as seguintes características:
• Não pode ser endossado (passado ou transmitido) a terceiros (qualquer pessoa diferente do próprio beneficiário);
• Só pode ser levantado pelo próprio e depositado numa conta do próprio.
O cheque não à ordem garante:
• Que o pagamento do subsídio social é feito unicamente ao beneficiário nele indicado;
• Que a Segurança Social tem total segurança e controlo do seu pagamento;
• Que o beneficiário tem a certeza de que o dinheiro do subsídio não é pago indevidamente a uma terceira pessoa.

Nas nossas IPSS existem muitos idosos, por exemplo, em que as pensões eram recebidas pela Instituição.
Com esta alteração, terá de haver uma conta em nome do idoso, e depois uma “procuração” em nome da IPSS de forma a poder receber a pensão.

Fonte: CNIS

SUBMISSÃO ELECTRÓNICA DE CONTAS E ORÇAMENTOS ANUAIS


Segundo o Instituto da Segurança Social (ISS) a submissão electrónica de Contas e Orçamentos anuais que agora começa a ser obrigatória visa dar uma resposta pronta e eficaz às necessidades das IPSS, introduzindo maior eficácia e qualidade aos procedimentos e relacionamentos com entidades externas.
Deste modo, o ISS informa que, a partir de Fevereiro do corrente está disponível no Site da Segurança Social, http//www.seg-social.pt, através do link de acesso à aplicação OCIP, uma nova funcionalidade, que permitirá a submissão on-line das contas e orçamentos anuais das IPSS, via preenchimento de um formulário electrónico.
Este novo procedimento implica que a IPSS esteja inscrita na Segurança Social Directa, com atribuição de password única.
Durante este mês de Janeiro o ISS está a desenvolver uma campanha de divulgação destas medidas junto das Instituições.
A Submissão dos Orçamentos relativos ao ano de 2011 e seguintes, assim como as Contas Anuais relativas a 2009 e anos subsequentes, deverão a partir de Fevereiro ser obrigatória e exclusivamente de forma electrónica, não se reconhecendo como válido outro meio de entrega.
Em caso de esclarecimentos adicionais devem ser activados os contactos publicados no Site da Segurança Social.

Fonte: CNIS

Novo programa destinado às IPSS


O novo programa de estágios Inov-Social tem uma comparticipação do Estado na ordem dos dez milhões de euros, vocacionado para as Instituições de Particulares de Solidariedade Social. Quanto à bolsa que cada jovem recebe esta é duas vezes o Indexante de Apoio Social, ou seja, cerca de 840 euros mensais, valor ao qual acresce o subsídio de alimentação e, nas situações que o justifiquem, subsídio de transporte ou subsídio de alojamento. Do valor total da bolsa, 65 por cento são comparticipados pelo Estado, ficando os restantes 35 por cento na responsabilidade das instituições sociais. O programa Inov-Social contempla mil estágios, que são dirigidos a jovens com qualificação superior nas áreas da Economia, Gestão, Direito e Ciências Sociais ou Engenharia, com idade até 35 anos. O processo de candidaturas irá decorrer entre 13 de Janeiro e 30 de Abril, estando os formulários disponíveis no site do Instituto do Emprego e Formação Profissional(IEFP).

Fonte: CNIS

«HUMANIDADE: DESPERTAR PARA A CIDADANIA GLOBAL SOLIDÁRIA»


Apresentação de novo Livro de Fernando Nobre
Dia 26 Jan Ter 18h30 FNAC Santa Catarina


“A razão deste livro é simples: ser um espaço de liberdade e de total frontalidade, onde exprimo, sem constrangimentos nem rodeios ou intermediários, as minhas reflexões e pensamentos mais enraizados sobre os desafios, ameaças e esperanças globais que me interpelam enquanto cidadão do Mundo e português, consciente dos meus deveres de alertar consciências após mais de trinta anos de deambulações pelas quatro partidas do Mundo. Fernando Nobre foi administrador dos Médicos Sem Fronteiras na Bélgica e fundou em Portugal a AMI - Assistência Médica Internacional, à qual ainda preside. Participou como cirurgião em mais de duzentas missões de estudo, coordenação e assistência médica humanitária em cerca de sessenta países de todos os continentes.

Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

ISS apresenta nova funcionalidade para as IPSS


A partir de Fevereiro de 2010 vai estar disponível no site da Segurança Social uma nova funcionalidade para submissão on-line de Orçamentos e Contas Anuais das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), através de preenchimento de formulários electrónicos.

Esta nova aplicação surge na continuidade dos processos de reengenharia de processos preconizado pelo Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) e Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa (Simplex) e pretende dar uma resposta pronta e eficaz às necessidades das IPSS.

As Instituições acedem a esta aplicação com a password que já detêm para acesso à Segurança Social Directa.

Sugere-se que, caso não tenha ainda efectuado a inscrição referida, proceda à regularização dessa mesma situação, em Segurança Social Directa.

Informa-se ainda que, a partir de Fevereiro de 2010, a submissão à tutela dos Orçamentos relativos ao ano de 2011 e seguintes, bem como das Contas anuais relativas a 2009 e anos subsequentes, se efectuará obrigatória e exclusivamente de forma electrónica, não se reconhecendo como válido qualquer outro meio de entrega.

Relembra-se que a data limite para entrega das Contas anuais relativas a 2009 termina a 30 de Abril de 2010.

As Instituições que ainda não tenham procedido à entrega do Orçamento para 2010 ou de anos anteriores, bem como das Contas anuais de anos anteriores a 2009, solicita-se que regularizem essa situação com a máxima brevidade.

Toda a informação necessária ao correcto preenchimento do formulário electrónico, submissão de documentação obrigatória e link de acesso à aplicação OCIP encontram-se disponíveis no site da Segurança Social, a partir de 1 de Fevereiro de 2010.

Recomenda-se a consulta atenta do manual do utilizador da aplicação OCIP e para eventuais esclarecimentos contacte o serviço VIA Segurança Social 808 266 266.

Fonte: ISS, IP

Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Hoje é o dia mais deprimente do ano - aprenda a combatê-lo


Desde logo, é segunda-feira. Mau prenúncio. Depois, o Natal nunca esteve tão longe e o inverno tão agreste. Por esta altura, também já deve ter recebido as contas do mês, percebido que as resoluções de ano novo nunca serão cumpridas e que não se adivinham melhorias. Estes seis critérios, aplicados numa fórmula matemática, permitem concluir que hoje é o dia mais deprimente do ano. A conlusão é de Cliff Arnall, professor britânico da Universidade de Cardiff e especialista em saúde mental.

Existem, ainda assim, duas boas notícias. A primeira é que o jornal inglês "Telegraph", criou um guia prático de como combater a chamada "blue monday", ou "segunda-feira azul".

As dicas começam ao pequeno-almoço, onde deve comer chocolate. Continuam com um passeio pelo jardim, uma exposição de pelo menos 15 minutos ao sol e o cancelamento de uma reunião.

Pode ainda forçar um sorriso, marcar as suas férias, imaginar o fim (sim, parece terrível, mas a sua situação não parecerá tão má), comer fruta e chili com amigos gordos e depois beber chá. Mude as músicas que ouve no ginásio, tente exercer uma influência positiva e, se nada resultar, vá dormir uma hora mais cedo - pelo menos o dia será menos longo.

A segunda boa notícia? De acordo com a mesma fórmula, existe o dia mais feliz do ano. Acontecerá a 24 de Junho, sexta-feira.

Fonte e Fotografia: Alexandre Soares/ionline

Dorme pouco? Não vai recuperar num fim-de-semana


Depois de uma noite em branco, muitos acreditam que, após várias horas de sono no dia seguinte ou na próxima folga, o corpo recupera. Contudo, um estudo publicado na revista "Science of Translational Medicine" desmistifica a ideia: quem dorme pouco de forma continuada ou trabalha à noite pode sofrer disfunções no rendimento do cérebro, que perduram mesmo após muitas horas de descanso.
A questão interessa especialmente às pessoas que não respeitam o ciclo circadiano - período de 24 horas sobre o qual assenta o ciclo biológico do corpo humano determinado pela luz solar -, como médicos ou seguranças. No estudo liderado por Daniel Cohen, especialista em medicina do sono no Brigham and Women's Hospital de Boston (EUA), nove pessoas saudáveis dormiram 10 horas de sono por cada 33 horas acordados ao longo de 38 dias. A privação aguda de sono (durante o dia) e a restrição crónica do descanso (ao longo de dias) foi analisada: se nas primeiras horas após o despertar o rendimento parecia normal, o desempenho e a concentração dos indivíduos ia-se deteriorando dia após dia. "É normal que as pessoas tenham períodos mais longos de sono ao fim-de-semana e nas férias, mas curtos durante a semana laboral. Nessas condições, os que sofrem de restrição crónica de sono podem ter a falsa sensação de recuperar este défice ao ter um bom rendimento nas primeiras horas após um período de sono normal", notam os autores. Mas o cansaço acumulado não desaparece e, à noite, o risco de adormecer sem dar por isso é quase certo.

Fonte e fotografia: ionline

Universidade de Sevilha reconheceu o direito dos alunos a copiar nos exames


Os alunos da Universidade de Sevilha já podem copiar nos exames. Isto porque a Universidade reconheceu o seu "direito" a fazê-lo, pelo que os professores já não poderão chumbar, expulsar ou suspender os alunos que forem apanhados a copiar.

Mas não se indignem os que não copiam e se sentem insultados pela medida. Sempre que um aluno da Universidade for apanhado a olhar para o teste do lado, o professor não deverá dizer nada. Em vez disso, deverá anexar ao exame uma nota a informar que o aluno parecia estar a copiar durante a execução do exame, para que uma comissão composta por três professores e três alunos decida se houve ou não cópia.

Na prática, os alunos não podem copiar, simplesmente podem olhar para os testes dos colegas sem sofrerem punições por isso. Ainda assim, professores consultados pelo "El Mundo" classificam a permissividade das novas regras (incluídas nas Normas Reguladoras da Avaliação e Qualificação das Assinaturas, aprovadas em Setembro pelo Conselho da Universidade) como uma "barbaridade".

Fonte e Fotografia: Joana Azevedo Viana/jornal i

Portugal é dos países que menos investem na família


Portugal debate de forma acalorada o casamento gay, entre anúncios sobre a crise da família, enquanto no Reino Unido o Partido Trabalhista acaba de assumir o elogio ao casamento e à estabilidade das relações. Um pacote de propostas a apresentar em Janeiro pelo governo de Gordon Brown parte deste princípio: as crianças estão melhor quando os pais permanecem juntos. É um discurso que, vindo da esquerda britânica, apanha de surpresa políticos e sociólogos portugueses - nem sempre pelas mesmas razões.

Investimento em serviços de mediação e aconselhamento familiar, introdução de aulas sobre sexualidade e estabilidade nas relações, além da criação de medidas que previnam as separações no período pós-natal são algumas das sugestões referidas pelo ministro britânico da Educação, Ed Balls, em declarações ao jornal "The Sunday Times". Pela primeira vez desde que há estatísticas oficiais, este ano as uniões oficializadas através do casamento tornaram-se minoritárias no Reino Unido. Ed Balls, casado com a ministra do Trabalho, assegura que o governo quer fazer mais no apoio às relações familiares. E considera um erro centrar as políticas de família na natalidade e nas crianças.

Todas as políticas de apoio à família são bem vindas, desde que não pretendam "impor determinados modelos", diz o deputado socialista e activista do movimento LGBT, Miguel Vale de Almeida. "O Estado não deve intervir nos modelos. O máximo que deve fazer é providenciar meios, nomeadamente de mediação ou terapia familiar, para as pessoas recorrerem se quiserem."

A estabilidade não é, para Vale de Almeida, um valor absoluto ou essencial para as crianças. Porque o amor parental é "indissolúvel" e perdura para além da ruptura dos pais. "O discurso de que os pais vão ficar juntos para sempre é um pouco fantasioso e cria expectativas nas crianças, que depois se sentem defraudadas", alerta. Além de que família rima com diversidade e deve ler-se no plural. O discurso sobre a família é, na sua opinião, ainda "muito conservador e aflito".

O problema, contrapõe Maria José Nogueira Pinto, independente eleita nas listas do PSD, é quando a pluralidade não resulta de uma escolha livre. "Nós, burgueses, em nossa casa podemos fazer laudes à diversidade. Mas as pessoas que são objecto da diversidade, estão felizes e assim por opção?", questiona, lembrando que às famílias monoparentais estão associados maiores índices de pobreza. "Não é uma questão ideológica, sequer. São estatísticas."

As estatísticas, também elas, mostram que Portugal ocupa, na Europa a 15, o penúltimo lugar na transferência de verbas para as famílias em percentagem de Produto Interno Bruto (PIB) - 1,2%, quando a média europeia é de 2,1%. E a falta de verbas limita a oferta de novos serviços, lamenta Maria Saldanha Ribeiro, presidente do Instituto Português de Mediação Familiar. A experiência mostra que "as causas sociológicas são mais importantes do que as psicológicas" num divórcio. Embora "levianas na forma como destroem uma relação", as pessoas continuam a valorizar e perseguir a estabilidade, assegura a mediadora e psicóloga. Faltam, contudo, apoios e redes de suporte que as ajudem a ultrapassar as crises e conflitos.

Sendo a Inglaterra um país com "estruturas muito fortes de pensamento", a socialista Maria de Belém considera natural que esteja a abrir caminho na reflexão sobre a família. Mas não é necessariamente verdade que Portugal esteja sempre atrás, avisa a socióloga Vanessa Cunha. Enquanto as políticas sociais dos ingleses tendem a valorizar a figura da mãe, as políticas portuguesas atribuem maior importância à parentalidade: "Essa tendência passa por fomentar a igualdade entre o casal e favorecer o papel do pai na família."

Um fenómeno que se tornou mais visível a partir da década de 90, quando a guarda parental em caso de divórcio passou a poder ser exercida por ambos os pais, desde que o casal esteja de acordo: "Em termos de políticas de parentalidade estamos à frente da maioria dos países europeus", diz Vanessa Cunha, adiantando que essa tendência surgiu mais por necessidade do que por uma visão estratégica. "Tanto a guerra colonial como a emigração masculina deixaram muitos postos de trabalhos entregues às mulheres e é por isso que, culturalmente, continuamos a preservar o direito das mulheres a trabalhar fora de casa", explica a socióloga do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.

Olhar para o que se faz lá fora e importar políticas, sem as devidas adaptações, nem sempre dá bons resultados, alerta Carlos Marques de Almeida, professor no St. Antony's College, em Oxford. "O que nós fazemos muitas vezes, diria quase sempre, é introduzir e adaptar conceitos que não são pensados para a sociedade portuguesa", afirma, acrescentando que a "ausência de pensamento crítico em Portugal" se traduz em "políticas públicas que não são adequadas à realidade nacional".

Fonte e Fotografia: Inês Cardoso e Kátia Catulo

Risco de pobreza ameaçava 18% da população portuguesa em 2008


O risco de pobreza ameaçava 18 por cento da população portuguesa em 2008, um ponto acima da percentagem para a União Europeia, segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat no Luxemburgo.

Os dados do organismo responsável pelas estatísticas europeias mostram que, em 2008, as taxas mais elevadas de pessoas em risco de pobreza foram detectadas na Letónia (26 por cento), Roménia (23), Bulgária (21), Grécia (20), Espanha (20) e Lituânia (20).

As menos elevadas na República Checa (9 por cento), Holanda (11), Eslováquia (11), Dinamarca (12), Hungria (12), Áustria (12), Eslovénia (12) e Suécia (12).

A taxa de “risco de pobreza” é uma medida relativa que permite a comparação entre Estados-membros, visto que o limiar de pobreza varia enormemente entre países.

Os dados foram revelados no quadro da conferência sobre o Ano Europeu da Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social, que tem lugar a 21 de Janeiro próximo em Madrid, organizado pela Comissão Europeia e pela presidência espanhola da União Europeia (UE).

Os números publicados mostram ainda que em 2008 a percentagem da população portuguesa que não conseguia pagar uma semana de férias anuais fora da sua residência era de 64 por cento (a média europeia era de 37).

Por outro lado, os portugueses são os europeus mais friorentos, 35 por cento não conseguia ter a casa aquecida de forma adequada (10 dos europeus).

Finalmente, quatro por cento dos portugueses não conseguia, pelo menos de dois em dois dias, pagar uma refeição com carne, galinha ou o equivalente em legumes (nove nos 27).

Fontes: Agência Lusa/ jornal i

Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

75 mil famílias dependentes de alzheimer


Doentes não têm cuidados específicos em casa, nem lugares para ficar em lares e centros especializados

Mais de 80% dos 90 mil doentes com Alzheimer estão em casa, entregues à família e sem cuidados especializados. Uma sobrecarga que quem tem de cuidar deles suporta com enormes dificuldades económicas, psicológicas e operacionais. Muitos cônjuges e filhos destas 75 mil famílias são obrigados a deixar o emprego para lhes prestar apoio permanente, pois o Estado não possui equipas de apoio domiciliário nem centros especializados. Mesmo quando a resposta passa por um lar normal, a lista de utentes em espera pode chegar aos 15 mil, como afirmou na edição de ontem do DN a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).

As denúncias são feitas pela associação Alzheimer Portugal que dá voz às dificuldades expressas pelos familiares dos doentes: medicamentos caros e não gratuitos - porque esta não é considerada doença crónica -, falta de médicos especialistas nos hospitais que acompanhem e prescrevam medicação, e falta de direitos laborais que permitam cuidar dos doentes.

"Não há dias de apoio à família específicos para estes cuidadores, só os normais. O que não serve praticamente para nada, quando se precisa de apoio a tempo inteiro", disse ao DN Ana Sofia Gomes, assistente social da associação.

Quando a demência evolui de tal forma que o doente carece de internamento, as famílias deparam-se com outro drama: os lares não têm vagas ou apresentam reticências em acolher doentes com estas características, pois não têm equipas especializadas - com neurologistas, terapeutas e psiquiatras - para os tratar. Se para um idoso normal, já é difícil encontrar vaga num lar, para estes doentes específicos não há sequer resposta. O futuro será ainda mais grave, pois se hoje há 90 mil doentes, daqui a dez anos, poderá haver 120 mil.

A rede está a ser equacionada para que haja uma resposta integrada às demências, nas quais se inclui o Alzheimer, disse ao DN a presidente da rede nacional de cuidados continuados integrados. Inês Guerreiro reconhece, contudo, que este é um processo muito lento e que os centros de dia anunciados em Maio - um por distrito - ainda não foram para o terreno.

"É muito pouco o que existe. A maioria dos doentes está em casa, mas não há equipas domiciliárias que lhes preste cuidados diferenciados. Cai tudo em cima da família e esta não está a ser apoiada como devia", reconhece Inês Guerreiro. A prioridade, acrescenta, são os centros de dia especializados.

O Ministério do Trabalho e Solidariedade Social diz que a resposta dos lares não está lotada, como afirma a CNIS. E apresenta dados de 2008 para provar que os 52.539 residentes não esgotam a capacidade de 53.373 lugares. O Governo explica ainda que é impossível estimar o número real de pessoas à espera, porque há quem se inscreva em mais do que um lar e o faça antes de precisar desse lugar.

Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias, não subscreve a existência de 15 mil pessoas à espera de um lugar, pois considera que é um dado difícil de precisar. "Mas a verdade é que faltam lugares e é muito difícil arranjar vagas. O sistema funciona mal. Aliás, se assim não fosse, e as pessoas estivessem seguras de ter lugar, não se inscreviam mais do que uma vez nem o reservavam antes de tempo." A prova de que os lugares não chegam, diz, está no programa criado pelo Governo que aposta em novos equipamentos. Desde 2006, foram criados 5631 lugares. Em Lisboa, exemplifica, há capacidade para acolher mais gente. Mas como a resposta nem sempre é imediata, a Santa Casa financia a residência de 724 utentes em lares fora da Misericórdia.

Agentes de autoridade substituem familiares
Idosos Henriqueta, 70 anos, moradora em Benfica, já não vai sozinha aos Correios levantar a reforma. Agora, espera pelos amigos da PSP que todos os dias passam à sua porta, e a acompanham sempre que chega o reforço das economias. Por vezes, até passam depois pela mercearia para fazer algumas compras. E não raramente dois dedos de conversa também ajudam a passar a manhã. Os polícias sentem bem empregue o tempo da autoridade e Henriqueta liberta alguns medos.

"Muitas vezes os agentes substituem a família, esbatendo solidões", disse ao DN a sub-comissária Carla Duarte, da PSP. A corporação, segundo explicou, tem no terreno o Programa Integrado de Policiamento de Proximidade (PIPP) que visa, exactamente, "ter os policias próximos das pessoas, integrando-os na comunidade".

Segundo Carla Duarte, o programa já cobre a nível nacional cerca de 80 por cento das esquadras, e o objectivo é que cada uma conheça os seus idosos, sobretudo os mais vulneráveis. "Os polícias vão as suas casas e acompanham-nos ao médico, aos correios, enfim, fazem os que muitas famílias não fazem", adiantou.

Também a GNR tem um programa específico para esta fase etária e não é nada menos complicado, uma vez que esta corporação policial actua, sobretudo, em área rurais, ao passo que a PSP está concentrada em centros urbanos. Por isso, para os elementos da GNR é por vezes necessário percorrer dezenas de quilómetros para ver um idoso que vive isolado e que se recusa frequentar o Centro de Dia mais próximo. Este programa da GNR denomina-se "Apoio 65 - Idosos em Segurança e, entre muitas actividades, tem a preocupação de alertar contra os "contos do vigário, em que tantos idosos continuam a cair.

Fonte: Diário de Notícias

15 mil idosos à espera de vaga em lares do Estado


Há milhares de idosos que vivem sozinhos, sem protecção da família nem cuidados básicos, e nem sequer estão sinalizados pela rede social, não beneficiando de qualquer apoio. Mas para os que procuram lugar num lar, o Estado também não tem resposta. "Estima-se que haja 15 mil pessoas em lista de espera", adianta ao DN Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (IPSS).

Para acolhimentos temporários, as solicitações das famílias são cada vez maiores, nomeadamente em tempo de férias. Mas para estes casos não há sequer hipótese, diz Lino Maia, pois a maioria das IPSS não disponibilizam este serviço. A resposta pode ser apenas encontrada nos privados, e não sai barata, pois a maioria não precisa só de alojamento, mas de cuidados de saúde específicos.

O abandono nas alturas festivas resulta por isso, muitas vezes, na morte dos mais frágeis. O delegado regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, António Tavares, confirma que há sempre um elevado número de mortes de idosos nesta época. Mas a causa não está apenas no frio e nos problemas de saúde que se agravam com ele. Às vezes uma simples queda não socorrida a tempo pode resultar na morte. O problema é um misto de vários factores: solidão, falta de cuidados básicos de alimentação e de enfermagem, dificuldades de locomoção ou de visão. E muita tristeza, acrescenta. Um sentimento que se agrava numa época como o Natal, em que os mais velhos se sentem ainda mais rejeitados pela família.

"Há situações de desespero. As pessoas desistem, deixam de comer, de se levantar da cama. Algumas suicidam-se", acrescenta o técnico que, enquanto delegado de saúde, acompanhou vários casos de enforcamento. "Há muitos casos dramáticos que não são sinalizados porque as pessoas escondem até ao limite", acrescenta Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas, sublinhando o aumento da pobreza envergonhada. "Há um enorme espírito de sacrifício de muitos idosos que recusam queixar-se, mesmo quando são abandonados pelos filhos e netos".

Em Lisboa, por exemplo, as carências da terceira idade não são apenas realidades em bairros antigos e degradados. Em zonas como Alvalade, há famílias com casas boas, até com tapetes de Arraiolos na parede, mas cujos donos não têm dinheiro para comer, denuncia a responsável de uma instituição que presta apoio na capital. Muitas vezes, amigos e familiares nem sabem das dificuldades.

O presidente da Cáritas critica ainda o que diz ser um modelo de sociedade que só defende os que são "produtivos e competitivos" para o produto interno bruto do País e abandona os que "são considerados uma despesa supérflua". Há histórias dramáticas, conta. De familiares que ficam com o complemento solidário para idosos dos filhos ou se recusam a deixar que a instituição onde estes estão lhes preste os cuidados adequados.

Mas este não é só um problema de pobreza nem de falta de recursos financeiros, diz o presidente da Cáritas. Há pessoas que têm relações cortadas com os familiares mais próximos ou vivem fechadas em si. Os casos de saúde mental também são cada vez mais preocupantes, diz Eugénio Fonseca. Para doentes com alzheimer ou parkinson não há quase resposta na rede pública. O número de idosos apoiados pelos serviços sociais tem vindo a crescer, seja através da rede de cuidados continuados, dos lares ou do apoio domiciliário. "Mas ainda não temos uma política de apoio à família", lamenta, acrescentando que a solução tem de passar pela recuperação das relações de vizinhança e de proximidade.

Fonte: Diário de Notícias Fotografia: Rui Coutinho/Arquivo DN